COOTPA inaugura centro de reciclagem

 

A difícil realidade no lixão do Aurá tornava o sonho de uma vida melhor quase impossível para os catadores da região, mas a cooperação dos associados à Cooperativa de Trabalhadores Profissionais do Aurá (COOTPA) foi recompensada 17 anos depois. Na última semana, a singular inaugurou o seu galpão para operacionalização da reciclagem de resíduos. O espaço foi cedido pelo Governo do Estado e Instituto Camargo Corrêa realizou a construção. O Sistema OCB/PA também esteve presente na solenidade.

 

Na execução do prolongamento da Avenida João Paulo Segundo, havia a necessidade de gestão ambiental referente à destinação correta dos resíduos. A Camargo Corrêa, empresa contratada para o projeto, mapeou as entidades que desempenhavam a função de coleta e reciclagem dos materiais, entre elas, a COOTPA. Desde então, os cooperados iniciaram a primeira parceria com a construtora. Entretanto, as condições eram precárias. A cooperativa possuía apenas carroças e cavalos para fazer a coleta, o que dificultava o acesso ao canteiro de obras.

 

“Desde o início de 2014, a COOTPA vem recebendo os resíduos. Nisso, iniciamos o primeiro contato, mas eles faziam a coleta com poucas condições. Então fizemos a doação de carros com estrutura de metalon para atuarem nos nossos canteiros”, explicou Vitor Almeida, Coordenador Sócio Ambiental de Obras da Camargo Correa.

 

 

 

A construção do galpão foi concebida através de uma diretriz do Instituto ligado à Camargo Corrêa, que é o Programa “Futuro Ideal”. Nas regiões onde a construtora executa atividades, o Instituto fomenta o desenvolvimento de práticas locais que gerem renda. Na COOTPA, foi promovida a formalização do projeto, a capacitação do grupo no processo produtivo, regularização fiscal e tributária, capacitações sobre o cooperativismo em parceira com o Sistema OCB/PA, instrução técnica e gestão de negócio. Todas as ações foram executadas através do projeto “Reciclar Faz bem”, que abrangeu todo o investimento e a construção do galpão.

 

“O recurso veio pelo Instituto após definirmos as linhas de atuação do projeto. Com ajuda de outros parceiros, conseguimos fazer a entrega e chegar neste momento. Foi um processo difícil, porém a dificuldade valorizou ainda mais a conquista que é de toda a sociedade à medida que ganha maiores oportunidades de reaproveitamento dos resíduos. Estamos todos felizes com o resultado”, completa Vitor.

 

No centro de reciclagem os cooperados farão o recebimento de material, triagem e a prensagem, principalmente dos materiais de maior volume. Também será organizado um eco ponto com containers para a população depositar os resíduos. Alguns moradores da área já fazem a entrega. São recebidos produtos diversos como papel, ferro, papelão, latinhas e plásticos.

 

 

A COOTPA foi a primeira cooperativa de reciclagem constituída há 17 anos. Atualmente, os cooperados atuam com sete roteiros de recolhimento dos resíduos sólidos. Na segunda-feira são contemplados os bairros da Cidade Nova 2 e 3, terça-feira a Guanabara, quarta-feira a Cidade Nova 5, quinta-feira a Cidade Nova 4 e sexta-feira a Cidade Nova 8. “Ainda precisamos abranger muitas pessoas que não aderiram à coleta seletiva.  Elas mesmos não querem separar. Percebemos que falta divulgação. É preciso criar uma forma de conscientização para que o nosso trabalho seja reconhecido”, afirmou a presidente da cooperativa, Noêmia Nascimento.

 

Depois da assinatura do termo de cooperação técnica com Ananindeua, a singular teve um crescimento de produtividade. Por mês, são produzidas de 35 a 40 toneladas de materiais. A ideia é expandir a produção. “Nossa expectativa é ampliar o projeto, ajudar um número maior de pessoas e agregar cooperados. Atualmente são 18, mas existem muitos catadores que precisam. Não tínhamos espaço e, agora, já temos estrutura para incluí-los. Quanto mais pessoas melhor”, explica Noêmia.

 

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Pará está entre os 10 Estados brasileiros que mais produzem lixo. Em 2016, foram geradas 6.164 toneladas por dia de lixo, das quais 5.028 toneladas foram coletadas. Apenas 1.374 toneladas tiveram destinação final adequada.

 

“Acompanhamos a cooperativa desde o início e ficamos extremamente felizes em ver onde está e onde pode chegar. Mérito total para os cooperados que não desistiram deste sonho, antes, continuaram lutando mesmo com horizontes não favoráveis. A cooperação dos parceiros, em especial do Instituto Camargo Corrêa, prova mais uma vez que chegamos mais longe quando cooperamos juntos. O Sistema OCB/PA está disponível para auxiliar na continuidade deste processo, que demanda um amadurecimento da gestão, qualificação profissional e estratégias para alcançar mercados”, afirmou o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra.

 

 

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