CAMTA visita São Félix e planeja expandir para o município

 

O solo fértil de São Félix do Xingu chega a produzir 3mil toneladas de cacau no período da safra, mas os agricultores, atuando de forma isolada, sofrem a perda de valor agregado pela comercialização com atravessadores. Para garantir um retorno financeiro maior aos munícipes, a Prefeitura promoveu um roteiro de visitas junto à Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) na última semana com o objetivo de estimular a expansão da singular e potencializar a cadeia do cacau na região. A diretoria da CAMTA foi recebida pela câmara de vereadores, realizou visitas de campo em propriedades rurais e traçou metas para encaminhar a parceria. As negociações contam com o suporte do Sistema OCB/PA. 

 

A comitiva composta por representantes da Diretoria da CAMTA, Sistema OCB/PA e SEDAP foi recepcionada pela Prefeitura através da Secretaria de Agricultura. A EMATER também prestigiou o evento.  Na sessão solene realizada pela câmara municipal, a cooperativa fez uma apresentação aos vereadores acerca de sua atuação, dos seus objetivos e do que espera de oferta do poder público a contribuir no processo de ampliação da filial da CAMTA para São Félix.  A produção da região também foi apresentada com foco no produto principal, o cacau. Juntando com o que é produzido em Tucumã, a capacidade chega até 7mil toneladas. Posteriormente, vislumbra-se que a CAMTA avalie outras culturas.

 

 

 

“Todos os vereadores abriram as portas. Reunimos também com a própria prefeitura que se mostrou disponível para o projeto, pensando no desenvolvimento regional e agregação de valor ao produtor que é refém de atravessadores para comercializar. O retorno será muito maior par ao município”, afirmou o gerente do Sistema OCB/PA, Vanderlande Rodrigues.

 

No roteiro de visitas de campo, a comitiva conheceu as propriedades dos produtores Domingo Grizorte e Marivaldo, que produz sozinho oito toneladas de cacau. A qualidade da produção surpreendeu os participantes pela alta fertilidade da terra. Em Tomé-Açu, por exemplo, é necessário plantar as mudas para o cacau vingar, diferente do terreno de São Félix que já brota cacau apenas com os caroços. Porém, se identificou que ainda falta a técnica aos produtores, no que a CAMTA irá auxiliar com suporte especializado.

 

 

 

De resultado à curto prazo, a cooperativa iniciará adquirindo a produção local, fazendo a classificação e exportação para os mercados internacionais com os quais já tem relacionamento. Durante esta semana, a diretoria da cooperativa encaminhará para a prefeitura uma lista de solicitações do que será necessário de contrapartida para efetivar o ingresso no município. De início, não será uma filial constituída, mas um galpão para receber e classificar a produção local e um escritório administrativo para atendimento.

 

“É produzida uma escala considerável na Região. Queríamos entender como os agricultores trabalham, desde o momento do manejo até o processo de fermentação da amêndoa e ficamos bastante animados com o que vimos. Apesar disso, é necessário adotarmos cautela no ingresso desses pretensos sócios, pois o importante mesmo não é o dinheiro, mas as pessoas. São elas que conseguem transformar o resultado. Se não estiverem engajados, se não abraçarem a causa, não dará certo. Queremos conhecer para avaliar sobre as parcerias possíveis. Se concretizando, daremos todo o suporte técnico para que os produtores melhorem a sua cadeia”, afirmou o Diretor da CAMTA, Ivan Saiki.

 

Neste processo, a CAMTA irá identificar os produtores que realmente querem se tornar cooperados e estreitar afinidade para então, posteriormente, serem direcionados com acompanhamento e orientação técnica. O objetivo é a inclusão à cooperativa e o melhoramento produtivo. A Secretaria sensibilizará um público de 100 produtores como projeto piloto. Serão orientados sobre o processo de fidelidade de comercialização através da CAMTA durante 6 meses para, depois, se identificar quem está apto ou não para se tornar cooperado. A prefeitura se comprometeu até o dia 20 de janeiro a fornecer a primeira leva de selecionados para se iniciar as conversas.

 

 

“Temos sinalizado positivamente, tanto o poder executivo quanto o legislativo, em relação a incentivos fiscais, econômicos e o que mais for necessário para que isso aconteça. Entendemos que é um perfil estruturado para receber esse leque de subsídios. São Félix tem produção, viabilidade e potencial que, se unirmos à cultura cooperativista dos japoneses, conseguiremos um salto enorme. É o que precisamos para trazer a verticalização ao município. Já recebemos alguns editais para financiamento de agroindústrias, mas não pudemos canalizar o recurso por não ter um empreendimento que atingisse todos os pré-requisitos. Porém, queremos beneficiar diretamente o produtor através dessas parcerias, de modo que tenham total autonomia financeira”, afirmou o Secretário Municipal de Agricultura, Décio Matos.

 

Em paralelo a estas atividades, o Sistema OCB/PA levará uma grade de capacitações para os produtores, promovendo a qualificação do segmento cooperativista, do trabalho coletivo e do objetivo comum. De acordo com a Secretária Adjunta Agricultura, Marta Lelis, será realizado um Seminário de Cooperativismo na primeira semana de fevereiro, onde se definirão detalhes como a partir de quando será realizado o trâmite comercial da CAMTA e os produtores e como será cedida a logística da prefeitura para trazer a mercadoria do produtor até o município sede. Também serão tratados assuntos focados em agronegócio e no tripé de sustentabilidade, sobre o que é um empreendimento economicamente viável, ambiental correto e socialmente justo, entre outras agendas repassadas sobre cooperativismo.

 

 

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