Para debater estratégias para prevenir a propagação da doença causada pelo Rhizoctonia theobromae na mandioca e a transmissão para outras espécies, considerando a soberania alimentar e a conservação do patrimônio biocultural dos territórios que se desenvolve a cultura da mandioca, o Sistema OCB/PA, por meio do presidente Ernandes Raiol, participou do workshop “Emergência Sanitária na Cultura da Mandioca”, promovido pelos governos do Brasil-França, em Belém, que reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos e privados, lideranças indígenas e agricultores do Brasil, Guina Francesa, países da América Latina que fazem fronteira com os dois países e de países que sofrem com o mesmo problema, para discutir os impactos causados pela doença vassoura-de-bruxa que ameaça a produção de mandioca, uma das culturas mais importantes da agricultura familiar.
O evento é uma parceria entre o Brasil e a França, promovido pela Embrapa, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Organização Francesa de Pesquisa Agronômica – CIRAD e Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento – IRD, com apoio da FAEPA e participação da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), trouxe para o debate a preocupação crescente de autoridades com a sanidade da mandioca, base da alimentação de milhares de famílias e insumo essencial para diversas cadeias produtivas, incluindo as cooperativas agropecuárias paraenses.
Durante o encontro foi demonstrado e resultados das pesquisas realizadas e o atual cenário que os povos indígenas e agricultores familiares da Guiana Francesa e do estado do Amapá, estão enfrentando com a doença em seus territórios que gerando impactos sociais, econômicos e ambientais. A doença está listada oficialmente como praga quarentenária presente no Brasil, que por meio da Embrapa, tem buscado a introdução de variedades resistente e melhoradas, já existente em territórios do Xingu, Teré Teré e Jacaré, além de outras atividades promovidas pelo CIRAD.
Para o presidente Ernandes Raiol, a presença das cooperativas nesse processo é fundamental. “Entendemos que essa discussão vai muito além do aspecto técnico. Trata-se da segurança alimentar, da manutenção da renda de milhares de famílias e da sustentabilidade de um setor estratégico para o Pará”, destacou o presidente. “Estamos mobilizados junto aos órgãos públicos e parceiros para encontrar soluções rápidas e eficazes. A mandioca não é apenas uma cultura agrícola, é uma atividade que sustenta famílias, gera renda e preserva a cultura alimentar de milhares de comunidades. O Sistema OCB/PA tem colocado o tema na pauta das discussões, buscando soluções técnicas, apoio emergencial e políticas públicas específicas para solucionar esse problema”, concluiu Raiol.
A mandioca é um dos produtos mais relevantes para a economia agrícola do Pará, especialmente para as cooperativas, que são responsáveis por grande parte do processamento e comercialização da farinha e seus derivados. A emergência sanitária coloca em risco não apenas a produção, mas também a segurança alimentar e a sustentabilidade econômica de diversas comunidades que dependem da cultura.
Atualmente há um Centro de Operações de Emergência Agropecuária da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca (Rhizoctonia theobromae) - COE, instituído pelo Ministério de Agricultura e Pecuária - MAPA, juntamente ao evento a Embrapa divulgou uma nota técnica sobre a doença.
Além de participar das discussões técnicas, o Sistema OCB/PA continuará acompanhando os desdobramentos do workshop e coloca-se à disposição para os momentos de debates e construção de ações, a fim de auxiliar na difusão do conhecimento e desenvolvimento da agricultura cooperativista, como nas participações da Missão Técnica da Cadeia da Mandioca em parceria com a Embrapa em outubro de 2024 e o Dia de Campo do Cultivo de Maniva/Mandioca Irrigada no município de Tracuateua/PA em dezembro de 2024.