
Estima-se que ainda existam cerca de 25 toneladas de ouro no solo de Serra Pelada já fustigado pelo tempo, uma esperança que anima os milhares de garimpeiros residentes na Região há 36 anos, sofrendo com condições precárias de sobrevivência. O presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol, participou de uma reunião com o quadro de sócios da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) e acompanhou de perto a realidade do local. Foram discutidas as formas como a entidade pode auxiliar os cooperados na retomada do Projeto de Exploração da área, que deve ser feita em parceria com empresa japonesa. A intenção é realizar um Seminário de Ramo no município no próximo ano.
Ao longo desses anos, já tentou-se executar vários projetos na região. Porém, nenhum obteve sucesso. Em 2011, a empresa de mineração canadense Colossus Minerals se associou à Cooperativa formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM). No início de 2014, a empresa fez uma demissão em massa e anunciou a paralisação do projeto por tempo indeterminado. A diretoria da Coomigasp está procurando novos investidores para retomar o projeto.
“O garimpeiro não recebe benefício. São pessoas com idade avançada, morrendo apenas com promessas de melhorias. Há senhores de quase 90 anos de idade, já doentes, apostaram, perderam tudo e não saíram mais de lá. É um índice grande de pobreza. As cooperativas estão buscando parcerias com empresas de mineração para tentar mudar essa realidade. Não há como continuar produzindo desta forma manual. É preciso se organizar e tomar conta do negócio”, afirmou Ernandes Raiol.
Atualmente, a cooperativa opera em pequena escala, de forma artesanal. O projeto prevê a participação de empresa na concessão de equipamentos e máquinas adequadas para a prospecção de minérios. O presidente do Sistema OCB/PA irá discutir com as entidades regulamentadoras do setor para realizar um Seminário do Ramo Mineral no molde do que foi feito em 2017, no município de Moraes de Almeida, em parceria com Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEDEME) e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
“O caminho é se unir, buscar parcerias com contratos bem claros e acompanhados de advogados competentes para que não sejam mais enganados. Vamos trabalhar nesse rumo, somando com as cooperativas da Região. A maioria está inadimplente, o que nos impossibilita de fazer algumas ações, mas vamos buscar a parceria do Governo para desenvolvermos essa discussão em busca de alternativas. Do jeito que está ali, a tendência é aumentar a pobreza, prostituição e doenças. Nossa estratégia é fazer o Seminário ainda no começo de 2018”.

Desde o decreto acerca do fechamento dos lixões à céu aberto, as cidades brasileiras buscam as melhores soluções para o destino dos seus resíduos. A organização dos catadores no modelo cooperativista sempre foi a alternativa mais viável, mas o aparelhamento estrutural dependente do apoio político pouco contribuiu para mudar a realidade dos trabalhadores. A Cooperativa de Reciclagem de Xinguara (Cooperlimpa), por sua vez, apresentou uma outra proposta: a gestão profissionalizada e independente. Com recursos próprios, a singular mantém sua estrutura, contratando a mão de obra da catação. Na última semana, os cooperados receberam o certificado de registro no Sistema OCB/PA pelas mãos do presidente Ernandes Raiol.
A Cooperativa foi criada em 2006 com apoio da Prefeitura Local, mas ao final do mandato vigente e com o corte do apoio financeiro, as atividades foram paralisadas. Em 2017, a Cooperlimpa retomou suas operações com a reciclagem em um formato negocial, diferente do que é praticado na Região Metropolitana de Belém cujas cooperativas são compostas exclusivamente por catadores. Com a nova proposta, profissionais liberais como advogado, contador, professor, engenheiro eletricista, técnico em segurança do trabalho são os que formam o quadro de sócios. Eles não executam a catação. Apenas gerenciam e fazem a comercialização do material tratado pelos funcionários contratados: os catadores. Até o momento, são 12 colaboradores.
“O catador não é cooperado. Não se trata de economia solidária para protagonizar o catador, nem de assistência. Pode não ser a estrutura mais atrativa na teoria, mas na prática, na atual conjuntura, é a melhor opção. Eles terão emprego, salário, irão recolher INSS, poderão se aposentar, alcançar um benefício se tiver algum acidente, o que não ocorre com as cooperativas de catadores em geral, que em sua maioria não atendem às obrigações legais trabalhistas. Se alguma eventualidade acontecer, ele ficará desemparado”, explicou a assessora jurídica do Sistema OCB/PA, Nelian Rossafa.

Os materiais trabalhados são papel, plástico, vidro e pneu sem dependência à logística reversa. Eles catam e separam a matéria bruta que é comercializada e destinada às indústrias localizadas em Goiás para fazerem a transformação. A intenção é que cheguem a participar de todas as etapas deste beneficiamento. O galpão é locado, a estrutura de funcionamento é da cooperativa e não há mais a dependência do Estado. Os professores cooperados ainda fazem ações de educação ambiental.
A cooperativa possui parcerias com empresas da região, principalmente grandes frigoríficos que enviam os resíduos sólidos provenientes da fábrica. Eles estão em expansão de suas atividades para ampliar a cobertura de coleta a todo o município local. Apesar de ser um negócio independente, os cooperados contam com o apoio da prefeitura através da Secretaria de Meio Ambiente, Saneamento e Turismo de Xinguara que encara a iniciativa como uma solução para o impasse dos lixões.
“A cooperativa é um novo modelo de empreendedorismo. As doutrinas que regem o setor não versam sobre um assistencialismo que apenas dá algo. Conseguimos os benefícios sociais a partir da união de pessoas que desenvolvem capital. Por isso é importante não estar atrelada a bandeiras políticas. O Estado deve ajudar assim como a Prefeitura está fazendo, mas é preciso ter autonomia para caminhar com as próprias pernas. É preciso ter profissionalismo. O Sistema OCB/PA prestará todo o apoio possível para que a Cooperlimpa se torne um modelo replicado em outras regiões do Pará”, afirmou Ernandes Raiol.
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A Organização das Cooperativas Brasileiras vem estimulando a produção científica como forma de aliar a teoria à prática, em prol do fortalecimento do setor. Durante esta semana, a entidade celebrou a quarta edição do Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC). José Sebastião Romano Oliveira representa o Pará no evento. Ele é o autor do projeto “Cooperativa D’irituia Avanço Sustentável e a Construção do Conhecimento junto a Parceiros Institucionais Estratégicos”. Pesquisadores de todas as partes do país, além de representantes de unidades estaduais do Sistema OCB, acompanharam a programação.

O evento é uma realização do Sistema OCB e ocorreu no auditório da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), em Brasília. O tema deste ano foi “Desenvolvendo negócios inclusivos e responsáveis: cooperativas na teoria, política e prática”. Os objetivos foram evidenciar o cooperativismo como um modelo de negócios diferenciado e que precisa ser estimulado local e regionalmente, assim como promover uma aproximação entre a área acadêmica e a realidade das cooperativas brasileiras. A programação foi baseada em quatro eixos norteadores: identidade e educação, quadro legal, governança e gestão e capital e finanças.
“É uma ótima oportunidade para divulgar as iniciativas referenciais produzidas ao longo do Brasil. Na realidade, todos saem ganhando com esse intercâmbio de ideias e conhecimento. Tivemos a satisfação em ter um dos nossos líderes cooperativistas representando o Pará”, afirmou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
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A sofisticação e o sabor exclusivo da marca de chocolate Gaudens, que está conquistando o mercado europeu, leva o toque do cooperativismo paraense aos grandes centros. Uma das criações de Fábio Sicilia, proprietário da marca, é a Cripioca, um chocolate feito com o cacau da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans) e a farinha de tapioca da cooperativa D´Irituia. O produto foi uma das sensações na 87ª Feira Internacional TARTUFO BIANCO D´ALBA, que ocorreu recentemente na Itália.
Fábio, como o Presidente fundador da Abrasel/PA e atual Diretor, cultiva o conceito do associativismo e do cooperativismo há anos. Em 2004, montou junto a outro sócio a primeira indústria de beneficiamento da amêndoa até a barrinha de chocolate. O passo seguinte foi em Medicilândia, município que mais produz cacau do Brasil e onde está sediada a Coopatrans. “Decidi apostar na cooperativa. O pequeno produtor organizado nesse modelo consegue gerar o volume necessário para acessar mercado, com capacidade de produção e um foco mais social. O desenvolvimento do país depende basicamente de fortalecer as pessoas da região. Comprando de uma multinacional, se tem uma evasão de capital. Parte desse lucro sai do país. Quando faço investimento em uma cooperativa, fortaleço a economia nacional e o pequeno produtor cresce, podendo assim formar a própria multinacional”.
Além da questão social, outro fator decisivo foi a qualidade do produto, que garante ao chocolate um sabor diferenciado. “O dono do negocio é quem cuida dessa produção, diferente da empresa de grande porte, na qual se perde identidade ao padronizar industrialmente. Na cooperativa, posso criar chocolates diferentes de acordo com a personalidade de cada produtor. Passo ter uma diversidade e riquezas de produtos muito maior”, completa Fábio.
A Gaudens foi a única estrangeira que entrou na tradicional exposição italiana. O Salão de Chocolate de Paris, na França, também teve a participação da marca que apresentou o chocolate sem leite, com 70% de cacau e os cremes de castanha do Pará com cacau e de baru com cacau. O baru, por sinal, é uma fruta típica do serrado também oriunda de cooperativa, sediada do Mato Grosso do Sul. A Gaudens ainda produz o chocolate ao leite, que só pode ser comercializado no Brasil.
“Foi surpreendente o nível de aceitação que tivemos. Foi um sucesso tanto na Itália quanto na França e no Principado de Mônaco. Estamos prospectando quem seria o distribuidor ou representante italiano. Já temos o primeiro pedido para uma loja em Mônaco, que pediu exclusividade de distribuição”, reiterou o empresário.

A perspectiva é que a parceria com as cooperativas cresça com a expansão da Gaudens, que está prospectando espaço também no mercado nacional, como em Belo Horizonte e Curitiba. Para isso, está reestruturando a indústria. Há uma possibilidade, inclusive, de intercooperação com a Coopatrans não apenas no fornecimento do cacau, mas também no beneficiamento. Estuda-se um acordo bilateral no qual se passaria o savoir-faire de tecnologia para que a cooperativa produzisse conforme o perfil da Gaudens.
O Sistema OCB/PA irá auxiliar nesse processo. “A parceria é totalmente viável. Só depende da cooperativa ajustar alguns fatores jurídicos e administrativos para entrarem em acordo, de modo a ser benéfico para ambas as partes. Iremos trabalhar neste sentido, fortalecendo a gestão e a governança cooperativa com a finalidade de solucionar os entraves para o desenvolvimento do cooperativismo no Pará”, afirmou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
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A intenção é que o complexo atraia as indústrias que se encontram instaladas nas regiões sul e sudeste do País

Quatro cidades da região Sul do Pará discutiram na última semana um projeto que propõe a criação de um Complexo Industrial voltado para reciclagem e tratamento de resíduos sólidos. A audiência para discutir o assunto foi realizada na Associação Comercial de Xinguara. O projeto foi apresentado pela presidente da ONG Gestar, Georgia Roberta Diniz, aos representantes das cidades de Xinguara, Parauapebas, Rio Maria e Água Azul do Norte, além do Presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol, autoridades locais, representantes da sociedade civil e representantes das indústrias. A Cooperlimpa também participou.
A intenção é que o complexo atraia as indústrias que se encontram instaladas nas regiões sul e sudeste do País, facilitando dessa forma o direcionamento dos resíduos recicláveis dos municípios. Segundo Georgia Roberta Diniz, presidente da ONG o complexo poderá injetar na economia da região cerca de R$ 20 milhões mensais. “Será sem dúvida o melhor instrumento para os gestores municipais conseguiram atender a Política Nacional dos Resíduos, uma vez que o complexo receberá todos os resíduos recicláveis e ainda contará com pontos de recolhimento dos produtos submetidos a logística reversa (pneus, pilhas), tratamentos para resíduos de serviço de saúde e ainda sistemas de compostagem de resíduos orgânicos”.


O prefeito de Xinguara, Osvaldinho Assunção (PSDB), afirmou que a cidade irá instalar o Projeto. “Como gestor, apoio a iniciativa da ONG e estamos juntos nessa parceria. Iremos levar esse projeto ao Governo do Estado, assim como deputados, senadores e ministros para que possamos ter incentivo e tornar real esse projeto. Gostaria de convidar os demais prefeitos da nossa região para que, juntos, possamos buscar os recursos para a instalação do complexo, pois temos um compromisso com a população que é garantir a qualidade de vida”.
A Secretaria de Meio Ambiente, Saneamento e Turismo de Xinguara vem trabalhando em conjunto com a Cooperativa de Reciclagem de Xinguara (Cooperlimpa), buscando soluções viáveis para solucionar o problema com os resíduos do município e ainda incentivar a economia e a qualidade de vida daqueles que desenvolvem o trabalho como catadores de material reciclado.