
Por entre 1,2 milhões de hectares de floresta, a Flona Carajás acolhe riquezas como o jaborandi, arbusto que não passa de 1,50m, mas com um potencial enorme para o mundo inteiro. A planta nativa possui uma substância que dá origem a vários medicamentos, como os utilizados no tratamento do Glaucoma e câncer de esôfago. Em Parauapebas, a Cooperativa dos Extrativistas da Floresta Nacional de Carajás (COEX) é responsável pela extração da folha há quase 40 anos.
A cooperativa iniciou suas atividades tendo como principal prática a coleta e venda de folhas de jaborandi a indústrias farmacêuticas. A folha possui alta concentração de pilocarpina, substância que é extraída e utilizada para tratar ressecamento dos olhos, boca, pele e tratamento de glaucoma. Posteriormente, é enviada para uma fábrica em Parnaíba para ser processada e exportada para a Alemanha.
A COEX é pioneira na coleta de sementes nativas na região, atuante desde os anos 80. Atualmente são mais de 350 espécies comercializadas por ano, todas com Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e inspecionadas por um profissional da área. As sementes são destinadas principalmente para produção de mudas utilizadas em programas de recuperação de áreas degradadas.

“No início, a atividade não era regularizada. Éramos vistos como vilões. Os nossos produtores eram humilhados, maltratados e presos. Foi uma luta constante. Até que o Ibama, a Vale e o grupo decidiram formalizar a cooperativa. Também tivemos apoio do governo municipal, estadual e do Icmbio”, explicou o presidente da COEX, Gilson Moraes Lima.
Foi executado também o Projeto de Aceleração da COEX, incluindo na parceria, o Instituto de Socioeconomia Solidária (ISES). Durante dois anos, foram promovidas capacitações para melhoria da gestão e da infraestrutura física e técnica, com a construção também de uma primeira sede, composta por galpão para armazenamento das folhas recolhidas, sala de armazenagem de sementes e escritório. O convênio possibilitou ainda que a Cooperativa adquirisse uma caminhonete.
Como a coleta da folha do jaborandi é uma atividade que ocorre somente em seis meses do ano, existia a necessidade de criar mecanismos de geração de renda nos demais meses. Assim, foi firmado um convênio entre a Vale e a COEX que permite a compra direta de sementes de plantas nativas para uso no desenvolvimento de mudas, recuperação de áreas e conservação das espécies. Essa parceria também é muito importante para o aumento da diversidade de espécies e para a conservação daquelas ameaçadas de extinção.
“Atualmente, 44 cooperados atuam no trabalho de coleta e fornecimento da folha, para a indústria farmacêutica. Eles passam de 20 a 30 dias dentro da mata com estrutura de acampamento. Chegamos a produzir cerca de 60 toneladas de folha de jaborandi, mas nosso plano de manejo permite 100 toneladas. As condições geográficas de extração dificultam esse aumento da produção”, explica a diretora financeira, Ana Paula Ferreira, Diretora Secretária.
Registro na OCB/PA
Ainda por ocasião da OCB/PA Itinerante em Parauapebas, o superintendente da entidade, Júnior Serra visitou a sede da cooperativa, conheceu o trabalho feito e tratou sobre o procedimento de filiação. Após o deferimento, serão aplicadas ferramentas de monitoramento, formação profissional e promoção social em prol do desenvolvimento da cooperativa.
“Fiquei encantado com que vi, com o trabalho realizado. É incrível como, dos recônditos mais afastados dos grandes centros, é cooperativismo consegue contribuir para a transformação social. A saúde de pessoas em todas as partes do planeta está relacionada com o trabalho desempenhado pela COEX em Parauapebas. Nosso intuito é apenas canalizar esse potencial para promover um crescimento ainda maior aos produtores”, enfatizou Júnior.



Até o fim deste mês devem ser assinados os acordos de cooperação técnica entre o Ministério da Cidadania e as entidades que integram o chamado Sistema S. Este é o resultado de uma reunião ocorrida nesta quinta-feira, em Brasília, entre o ministro Osmar Terra e os representantes dos S, que tentam encontrar uma forma de minimizar os riscos da possível redução dos recursos, já anunciada pelo governo federal. O Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) faz parte do rol dessas entidades.
De acordo com a proposta do Ministério da Cidadania, a ideia é que as entidades do Sistema S promovam iniciativas de desenvolvimento profissional, focados em dois aspectos: empregabilidade e geração de renda. O público-alvo preferencial, segundo Terra, são pessoas com idades entre 18 e 29 anos, que nem estudam nem trabalham e cujas famílias estejam inscritas no programa Bolsa Família.
O governo tem estruturado um programa de desenvolvimento profissional com a intenção de alavancar os indicadores socioeconômicos das regiões Norte e Nordeste. Por enquanto, o nome dessa política pública é Programa Juventude S, considerando que as ações serão desenvolvidas por entidades como o Senai, Sesi, Sesc, Senac, Sest, Senat, Sebrae, Senar e, claro, Sescoop.
Estima-se que os S ofertem 5,7 milhões de vagas. Apenas o Sescoop, por exemplo, deverá assumir o desenvolvimento profissional de quase 100 mil pessoas durante os quatro anos do programa.
OPORTUNIDADE
Segundo o superintendente do Sescoop, Renato Nobile, a assinatura desse acordo de cooperação representa uma oportunidade, já que o cooperativismo é um modelo de negócio que busca equilibrar as dimensões econômica e social, nascido da vontade das pessoas em transformar a própria realidade.
“O Sescoop faz parte de um sistema que engloba a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e sua preocupação com o desenvolvimento socioeconômico dos estados do Norte e do Nordeste do país sempre fez parte do nosso planejamento. Não tenho dúvidas de que, com o envolvimento das unidades estaduais do Sistema OCB, juntamente com as nossas cooperativas, será possível contribuir com a geração de emprego, trabalho e renda”, avalia.
AGRICULTURA FAMILIAR
Nobile destaca, também, que uma das iniciativas do Sistema OCB que prevê o desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, por exemplo, é o Plano de Desenvolvimento Cooperativo do Semiárido Brasileiro, entregue ao Ministério da Agricultura, em meados de fevereiro. “Além de apresentar objetivos estratégicos e eixos estruturantes, esse documento sugere o modelo de negócio cooperativo como meio de organização social dos agricultores familiares, para que, coletivamente, consigam impulsionar os processos que vão desde a produção até a comercialização”, exemplifica.
Além disso, esse plano, segundo o superintendente, possui a educação como um de seus pilares, seja ela uma educação em nível básico, profissional, antropológico, para o educando ou para o educador. “A adequada capacitação, observando-se a real necessidade e a melhor forma de transferência do conhecimento, é fundamental para que os envolvidos em qualquer projeto possam aprimorar suas atividades e funções”, declara.
DESENVOLVIMENTO
Nobile frisou ainda que o cooperativismo é uma ferramenta capaz de gerar muito mais que emprego, trabalho e renda. “O Sescoop e o Banco Central desenvolveram um programa de Educação Financeira que já é uma realidade em muitas partes do país. Tem também uma parceria muito importante com a Fundação Nacional da Qualidade que avalia o processo de gestão nas cooperativas do país, contribuindo com o seu crescimento sustentável. Contudo, todas as ações do Sescoop são voltadas a cooperados e empregados de cooperativas. Agora, com esse acordo de cooperação, poderemos oferecer essas e muitas outras ações de desenvolvimento profissional a mais brasileiros”, argumenta o superintendente.
ESTRATÉGIAS
Mesmo sem um panorama claramente definido pelo governo federal, o Sescoop já está trançando estratégias para colocar o Programa Juventude S em prática. “Já fizemos um alinhamento com as nossas unidades estaduais a respeito da proposta do governo, solicitamos um levantamento de vagas a serem ofertadas em cada estado e estamos, no momento, prospectando parcerias com cooperativas, por exemplo, para utilizarmos seus espaços nos municípios contemplados com o programa. A ideia é que trabalhemos com cursos, palestras e orientações profissionais majoritariamente presenciais”, informa Nobile.
NÚMEROS
O Brasil conta hoje com 7.063 cooperativas, representando diversos setores econômicos, reunindo cerca de 14 milhões de pessoas e gerando mais de 400 mil empregos diretos. As cooperativas estão presentes em todos os estados e contribuem diretamente com a economia de 1.715 cidades brasileiras, das quais 700 estão presentes nas regiões Norte e Nordeste. Vale destacar, por exemplo, que em 620 municípios as cooperativas de crédito são as únicas instituições financeiras presentes.

Antônio Henrique Gripp permanecerá à frente da cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Pacajá e Região (SICOOB Transamazônica) até 2023. O atual presidente e mais três membros do Conselho de Administração foram eleitos por aclamação em Assembleia Geral Ordinária (AGO) que contou com mais de 300 associados. Também foi feita prestação de contas e eleição do Conselho Fiscal.
O Conselho de Administração é formado, além de Tunico, pelo vice-presidente Jahyr Seixas e os conselheiros efetivos Deuslirio Cardoso, Carlos Xavier, Antonio de Oliveira, Adriano Santos, Arcilio Odoricio e os suplentes, Elias Ralim e Clarudio Zamperline. Já o Conselho Fiscal, com gestão até 2021, estão os efetivos Adão Sobrinho, Jesana Mota, Wendell Reis, Valdeci Filho e os suplentes Nilo Penna e José Rosildo.
“O ano de 2018 foi de muitas vitórias e pudemos alcançar números históricos, prova disso foi o resultado alcançado. A participação dos nossos Conselhos de Administração e Fiscal, juntamente com a Diretoria Executiva e nossos funcionários teve um papel decisivo para o início do grande passo que o Sicoob Transamazônica deu para seu crescimento. Agradeço a todos que nos ajudaram nessas vitórias”, enfatizou o presidente Antonio Gripp.
Segunda maior cooperativa do Sistema Sicoob, a Transamazônica foi inaugurada em julho de 2015 com 12 fundadores, capital social de R$ 25mil e recursos administrados de R$ 1,2 milhão. De acordo com dados do último ano, são 1.900 cooperados, capital social de R$ 7 milhões e R$ 26 milhões de recursos administrados. Para 2019, a proposta é alcançar o número de 3mil associados, sete pontos de atendimento, R$ 60 milhões de ativos e sobra de R$ 2 milhões. Em uma visão a longo prazo até 2027, a proposta é ter 10mil associados, 25 pontos de atendimento, R$ 300 milhões e R$ 10 milhões de sobras.
“Para os próximos quatro anos, uma nova jornada se inicia, muitos números estão previstos e com a participação desse novo grupo, temos certeza, que alcançaremos posições de destaque no Sistema Unicoob e Nacional. A expectativa é que os novos conselheiros continuem o imenso projeto que temos para o Sicoob Transamazônica. As metas já foram definidas e as equipes estão imbuídas em produzir em grande escala, como pode ser vislumbrado nos dois primeiros meses desse ano”, completou Tunico.
Em abril, as cooperativas estarão no palco principal da Estação das Docas, expondo para toda a população paraense seus produtos e serviços. Diversas atividades estão sendo preparadas para os três dias de programação, como palestras, orientações e rodadas de negócio. Na abertura, o Diagnóstico do Cooperativismo Paraense 2018 será apresentado e os concluintes da pós-graduação em Gestão de Cooperativas serão certificados.
A abertura da Feira de Negócios do Cooperativismo (FENCOOP) ocorre no dia 24 de abril às 19h, com a participação de todas as cooperativas, lideranças do setor, autoridades políticas e de instituições estratégicas. Na ocasião, será feito o lançamento do Diagnóstico com os dados obtidos ao longo do último ano e já consolidados com as próximas diretrizes para o cooperativismo.
A exposição das cooperativas inicia logo após a cerimônia de abertura, seguindo até 22h. Nos dias 25 e 26, a exposição inicia às 14h. O objetivo é trazer ao conhecimento do público em geral como o cooperativismo está presente no dia a dia do paraense, desde os produtos que consome aos serviços que utiliza. Para as cooperativas, também será uma oportunidade de fazer novos negócios.
Nas laterais do espaço, ficarão os corredores do ramo agropecuário, com nove singulares representando as mais de 60 registradas no Sistema OCB/PA, e do ramo crédito, com os 3 sistemas presentes no Pará. Já no centro do espaço, estarão os stands dos ramos trabalho, mineral, produção, consumo, infraestrutura, educação, transporte e saúde. A OCB/PA também terá stand onde prestará atendimentos a interessados em conhecer melhor o cooperativismo, o passo a passo para constituir cooperativas ou como regularizá-las.
“Pela primeira vez na história do Estado, mostraremos o nosso potencial de uma forma mais expressiva através da Feira de Negócios do Cooperativismo (FENCOOP). O paraense já se alimenta conosco, é transportado, atendido e beneficiado pelo trabalho das cooperativas. Porém, a maioria não sabe disso. Chegou o momento de toda a população conhecer quem somos e como podemos transformar a realidade socioeconômica do Pará por meio da cooperação”, explicou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
No dia 25, a partir das 09h, a FENCOOP promoverá curso acerca das atualizações sobre o E-Social. A plataforma exige um novo posicionamento em relação às documentações legais que devem ser entregues ao Governo Federal. As empresas e cooperativas precisam se adequar às mudanças nas áreas financeira, jurídica, contábil, recursos humanos e segurança do trabalho. Pela parte da tarde, às 14h, as singulares registradas e adimplentes se reunirão em Assembleia Geral Ordinária (AGO) para deliberar sobre os rumos do cooperativismo paraense.
Já no dia 26, último dia da Fencoop, a programação será voltada para a gestão de cooperativas com palestra sobre vendas e liderança. A partir das 09h, será ministrada a palestra “Venda de Sucesso - Negócio Fechado em Venda” e a partir das 14h, a palestra “Liderança Inspiradora de Resultados”.

O Setor
Atualmente, 88mil pessoas estão cooperando através do cooperativismo, além de quase 5mil empregados. Em 2018, o número de profissionais autônomos que decidiram apostar no cooperativismo cresceu 25%. Os resultados obtidos pelo setor comprovam a cooperação como o modelo socioeconômico mais promissor no atual horizonte econômico, justificando-se a temática escolhida para esta primeira edição: “Tendências de Empreendedorismo Coletivo”.
O cooperativismo apresenta inúmeras vantagens obtidas através da coletivização e união em prol de interesses econômicos comuns, tais como o posicionamento mais competitivo dentro do mercado, ampliação de escala produtiva, divisão de despesas, aumento do poder de barganha, uso comum de sistemas e infraestrutura, acesso a mercados maiores e ganhos proporcionais. A Feira de Negócios cumprirá a missão de apresentar todas essas vantagens.
A expectativa é que a Feira receba aproximadamente 10mil pessoas ao longo dos três dias. “Nosso objetivo é promover, através da Feira de exposições, o reconhecimento do quanto este influencia positivamente a economia estadual, seguindo a visão institucional da OCB: Fazer o setor conhecido por sua competividade, integridade e pela felicidade que gera aos envolvidos”, completa Raiol.
Serviços: 1ª Feira de Negócios do Cooperativismo Paraense (FENCOOP) – De 24 a 26 de abril na Estação das Docas.

Mulheres da zona rural, ilhas e ramais do município ganharão maior competitividade e organização profissional através da cooperação. O grupo de artesãs está recebendo capacitações com o objetivo de formar a primeira cooperativa do ramo produção constituída exclusivamente por mulheres. Na última segunda (18), o Sistema OCB/PA, Instituto Sicoob e a APAE promoveram formação básica em Cooperativismo.
O projeto Mulheres Empreendedoras de Abaetetuba, “fazendo a diferença” é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Abaetetuba, por meio da Secretaria Municipal de Administração. O projeto surgiu através da vontade de se realizar um trabalho com as mulheres abaetetubenses, na perspectiva de promover a inclusão produtiva, a autonomia financeira, bem como prever a realização de oficinas de capacitação com vista a melhoria da renda familiar.
Na ocasião, a voluntária do Instituto Sicoob Belém, Selma e o instrutor do Sistema OCB/PA, Francisco Pessoa, ministraram o Curso. “Foi um momento de muita formação, informação e aprendizado em vista da constituição da primeira cooperativa de produção voltada as mulheres. Vamos lutar sempre pelo melhor e pelo bem do projeto! Juntas somos mais fortes”, enfatizou a coordenadora do Instituto Sicoob, Karlene Vasconcelos.
Em abril e maio, o grupo finalizará o processo de constituição e fará o lançamento da cooperativa. A produção das artesãs já está disponível em espaço do projeto dentro do terminal rodoviário de Abaetetuba. Localiza-se dentro do Terminal Rodoviário de Abaetetuba de segunda a sábado, das 8h às 18h. “Queremos sempre fomentar o empreendedorismo responsável, além do fortalecimento de movimento de mulheres em busca de direitos e cidadania, respeito e na implantação de políticas públicas. Sem dúvida, o cooperativismo é o caminho”, afirmou o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol.
